domingo, 4 de novembro de 2007

Capítulo I - 4

Tinham-se passado três dias desde que ele foi ao emprego pela primeira vez. Conseguiu actualizar todas as suas receitas e já ninguém se lembrava que ele tinha desaparecido do emprego durante uma semana. Pela primeira vez tinha recusado um convite de ir festejar a chegada do fim-de-semana ao bar com os seus “amigos”. Arranjou rapidamente uma desculpa, que tinha um encontro marcado. Ia festejar o quê? Ter matado a pessoa que amava?

Desde aquele dia a Ordem só o contactou uma vez, a dizer-lhe obrigado pelo seu esplêndido trabalho e a dizerem que, como sempre, iriam tratar do corpo da vítima e iriam certificar-se que todas as provas desapareceriam. Se fosse necessário providenciar-lhe-iam um álibi. A Ordem tinha elementos suficientemente influentes para colocarem a notícia do desaparecimento da rapariga num quadrado imperceptível para quem lesse a página na diagonal. Também teriam álibis suficientemente influentes.

Ele não tinha desejo nenhum em contactar a Ordem. Sentia nojo pelo que fizera e sentia que a sua dívida já fora paga. “Salvaram-me a vida e tiraram-ma novamente.” O problema estava aí, em ignorar e tentar sair da Ordem. Ele próprio encarregou-se de eliminar dois elementos que se tinham desviado do “caminho” da Ordem. Pensando melhor, a morte talvez fosse bem-vinda. Teria decerto sido a uma semana atrás, mas o seu instinto de sobrevivência e o seu horror pela morte (era interessante como um assassino como ele repudiava a morte) não iriam ceder perante esta ideia. “É sempre possível fazermos mais alguma coisa”, dissera uma vez o seu pai, quando o encontrou a balbuciar que se queria suicidar após a morte de sua mãe, tinha ele 14 anos. Se não o tivesse dito, ele já estaria morto.

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